50 anos de Revolução Cubana



A 1 de Janeiro de 1959, Fidel Castro proclamava o triunfo da revolução contra a ditadura de Fulgencio Batista.

Cinquenta anos depois, o irmão, Raul Castro, agora presidente de Cuba, afirmava na praça Carlos Manuel de Céspedes que o socialismo "não foi nenhum fracasso".

"Estes 50 anos são anos heróicos, tivemos o privilégio de os viver intensa e conscientemente e de participar activamente em tudo, pelo que temos de nos sentir orgulhosos de tudo o que vivemos, uma glória que não podemos manchar, não a podemos deixar cair, porque o imperialismo está ali", sublinhou Raul Castro.

O general não deixou no entanto de reconhecer que há "questões vitais a desenvolver", como a produção interna, o incremento das exportações e a capacidade de produzir todos os alimentos necessários ao país.



Fidel fora de cena, mas sempre presente

Depois de 49 anos e 55 dias no poder, Fidel anunciou em Fevereiro de 2008 o seu afastamento definitivo da presidência devido a problemas de saúde. Fidel Castro havia já cedido, provisoriamente, a posição ao seu irmão Raul, a 31 de Julho de 2006, em virtude de uma complicada intervenção cirúrgica nos intestinos. O líder tinha já desmaiado num comício e em 2004 tropeçou e caiu num outro, dando uma enorme queda. O comunicado da sua saída foi lido na televisão pelo secretário pessoal do Presidente de Cuba.

Raul Castro, de 76 anos, é agora chefe de estado de Cuba, sucedendo no cargo ao seu irmão Fidel durante, pelo menos, os próximos cinco anos. Apesar de Raul Castro ser o primeiro na linha sucessória a ocupar o cargo, é incerto o seu futuro no governo em caso da morte de Fidel. Diz-se que a Raul falta de carisma. E resta saber se Raul fará alterações à política cubana, nomeadamente nas suas relações com os EUA.

Apesar disso, Raul Castro tem dado alguns passos que parecem sugerir uma abertura da sociedade Cubana e até alguma abertura a uma economia de mercado, não cedendo no entanto em relação ao poder de um partido único.

A eleição de Barack Obama como o novo presidente abre novas portas na relação Cuba/EUA. Obama prometeu fechar Guantánamo, e suspender as limitações de viagens e envios de remessas dos cubanos que moram nos EUA para os familiares na ilha, além de ter se mostrado a favor de uma «diplomacia directa» com as autoridades cubanas sem pré-condições.

Raul Castro mostrou-se disponível para falar «directamente» e «sem intermediários» com Barack Obama. Fidel já veio dizer que Obama é alguém com quem “se pode conversar”.

Fidel Castro saiu de cena, mas não completamente. Nos últimos meses foi tendo encontros com várias personalidades, como o presidente russo Dimitri Medvedev e o presidente chinês Hu Jintao.

Para os cubanos que acreditam no socialismo de Fidel, o comandante será sempre a figura chave de Cuba. O pai de todos os cubanos. Para os opositores ao regime, Cuba tem de se libertar da sombra de Fidel Castro. Fidel foi visto pela última vez em público no dia 26 de Julho de 2006.

Texto e vídeo: Vera Moutinho

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